Reter talentos é um dos grandes desafios das empresas e, cada vez mais, falamos sobre termos como turnover e quiet quitting atingem todos os setores. Investir em cultura organizacional e desenvolvimento de pessoas é um caminho importante para manter os profissionais nas organizações, e ter estratégias bem desenhadas faz toda a diferença para o sucesso das ações voltadas à retenção de talentos.
Você sabe o que são os conceitos turnover e quiet quitting e como desenvolver os colaboradores da sua empresa vai mudar esses índices? Saiba mais agora mesmo!
Desenvolvimento de pessoas e o turnover e quiet quitting: o que são?
O turnover é o índice sobre o número de colaboradores que deixaram as empresas em um determinado período. Essa é uma métrica de rotatividade e engloba os diversos tipos de desligamentos, sejam voluntários ou involuntários.
Segundo levantamento realizado pela Robert Half, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o Brasil é o país com o maior índice de turnover do mundo. Entre as principais causas da alta rotatividade, aparecem a baixa qualidade do clima organizacional, a falta de alinhamento de expectativas, a falta de reconhecimento, seguido da falta de um plano de carreira.
Já o Quiet Quitting, ou demissão silenciosa, é um conceito que se popularizou nos últimos anos e diz sobre colaboradores que limitam a realização das suas tarefas apenas ao que está em seu escopo.
Ou seja, aqui não é sobre pedir demissão de fato ou sair da empresa, mas colaboradores que adotam a postura de cumprir apenas as suas atribuições e cumprir estritamente o combinado, sem fazer nada além do previsto na descrição do seu trabalho.
Quais são os tipos de desenvolvimento de pessoas?
O desenvolvimento de pessoas é um conceito essencial no crescimento individual e profissional, englobando uma série de estratégias e práticas voltadas para a melhoria contínua de habilidades, comportamentos, mentalidades e competências. Ele pode ser dividido em diferentes tipos, que abordam tanto aspectos técnicos quanto emocionais e interpessoais. A seguir, detalhamos os principais tipos de desenvolvimento de pessoas:
1. Desenvolvimento pessoal
O desenvolvimento pessoal refere-se ao aprimoramento das habilidades, conhecimentos e comportamentos que ajudam uma pessoa a crescer em sua vida na totalidade. Ele inclui fatores como inteligência emocional, autoconhecimento e melhoria na qualidade de vida.
Exemplos de desenvolvimento pessoal:
- Autoconhecimento: identificação dos próprios pontos fortes e áreas de melhoria.
- Gestão do tempo: aprender a organizar tarefas para ser mais produtivo.
- Inteligência emocional: habilidade de gerenciar emoções e melhorar relacionamentos.
- Resiliência: capacidade de lidar com desafios e superar adversidades.
2. Desenvolvimento profissional
Esse tipo foca na expansão de habilidades e competências para melhorar o desempenho no ambiente de trabalho. Normalmente, envolve treinamentos, qualificações, cursos e mentorias.
Exemplos de desenvolvimento profissional:
- Capacitações técnicas: cursos específicos para aprimorar habilidades profissionais.
- Liderança e gestão: treinamentos para gerenciar equipes e tomar decisões estratégicas.
- Networking: construção de relacionamentos para oportunidades de crescimento profissional.
- Adaptação a novas tecnologias: aprender a usar ferramentas modernas no ambiente de trabalho.
3. Desenvolvimento intelectual
O desenvolvimento intelectual abrange a ampliação do conhecimento e da capacidade cognitiva. Ele envolve aprendizado contínuo, desenvolvimento crítico e criativo.
Exemplos de desenvolvimento intelectual:
- Leitura e pesquisa: aquisição constante de novos conhecimentos.
- Pensamento crítico: capacidade de analisar informações de maneira lógica e fundamentada.
- Criatividade e inovação: desenvolvimento da capacidade de solucionar problemas com novas abordagens.
4. Desenvolvimento emocional
Envolve a melhoria da capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar emoções para promover uma vida mais equilibrada e saudável.
Exemplos de desenvolvimento emocional:
- Autocontrole emocional: lidar com estresse e pressão sem comprometer decisões.
- Empatia: compreender melhor as emoções dos outros e criar relações harmoniosas.
- Autoconfiança: construir uma imagem positiva sobre si.
5. Desenvolvimento social
Esse tipo envolve habilidades interpessoais e comunicação eficaz, ajudando pessoas a construírem melhores relações no meio profissional e pessoal.
Exemplos de desenvolvimento social:
- Trabalho em equipe: colaboração eficaz em ambientes diversos.
- Comunicação assertiva: saber expressar opiniões e necessidades de maneira clara e respeitosa.
- Habilidades de negociação: capacidade de dialogar para alcançar consensos satisfatórios.
6. Desenvolvimento espiritual
Esse tipo não está necessariamente relacionado à religião, mas sim à busca de propósito, valores e equilíbrio interno.
Exemplos de desenvolvimento espiritual:
- Meditação e mindfulness: práticas que contribuem para maior autopercepção e tranquilidade.
- Autoconhecimento e propósito de vida: reflexões e práticas que ajudam a entender objetivos e princípios.
- Gratidão e positividade: aprender a valorizar momentos e manter um pensamento positivo.
7. Desenvolvimento físico
Refere-se ao cuidado com o corpo, que influencia diretamente na saúde mental e no bem-estar geral.
Exemplos de desenvolvimento físico:
- Exercícios físicos: melhoria da disposição e da saúde cardiovascular.
- Alimentação balanceada: nutrição adequada para manter o bem-estar físico e mental.
- Sono de qualidade: importância do descanso adequado para o desempenho diário.
Causas e impacto do turnover e do quiet quitting
Seja o turnover, quando a empresa perde de fato o colaborador, ou o quiet quitting, quando perde o máximo de sua produtividade, inovação e criatividade ainda que ele permaneça no ambiente organizacional, podemos falar de causas e impactos semelhantes.
De acordo com pesquisa do Instituto Gallup, no Brasil, o número de trabalhadores desmotivados com o próprio trabalho é de 72%, e o desânimo em seus ambientes tende a levar para saídas ou grande queda de produtividade, caso o profissional permaneça no seu ambiente de trabalho.
Essa insatisfação no ambiente de trabalho tem muitas causas, entre elas a falta de estímulo das organizações para o desenvolvimento de pessoas, pouca flexibilidade dentro do ambiente, baixa clareza em relação às expectativas, metas e objetivos do negócio, relacionamentos ruins entre líderes e liderados, cultura organizacional ruim e atitudes que, na prática, não casam com o que a empresa prega de fato.
Em ambos os casos, a empresa sente grandes impactos, afinal, de uma forma ou de outra perde seus profissionais e o melhor que eles têm a entregar no ambiente. Isso faz com que a organização passe a ter um clima organizacional e cultural incerto e inseguro para os profissionais e dificulta a retenção de talento, enfraquecendo a imagem do negócio.
Quando falamos em impactos financeiros, não há como negar que o quiet quitting e turnover causam grandes problemas para o bolso das empresas. Ao perder colaboradores existem gastos com o profissional que sai e com a nova contratação. Isso sem dizer no tempo exigido de integração e adaptação para que o novo talento passe de fato a performar.
O papel do desenvolvimento de pessoas
A desmotivação das pessoas dentro dos ambientes organizacionais tem muito a ver com a falta de perspectiva e a visão de crescimento no negócio, portanto, desenvolver colaboradores e dar a eles oportunidades de aprendizado faz toda a diferença na jornada de cada profissional.
Quando falamos de aprendizado, não é apenas sobre um treinamento ou uma palestra dentro dos times, mas sim estruturas robustas e sólidas de aprendizagem contínua para o desenvolvimento das pessoas em todos os seus momentos.
Isso pode acontecer através de investimento em universidades corporativas, treinamentos e workshops específicos para setores, programas de desenvolvimento de hard e soft skills e desenvolvimento de lideranças, por exemplo. Além disso, é interessante também quando as empresas contam com incentivos financeiros para que o colaborador se desenvolva fora da organização, como bolsas para pós-graduação, idiomas e eventuais idas a feiras e eventos do mercado que tenham conexão com a sua atuação na empresa.
Como fazer o desenvolvimento de pessoas?
O desenvolvimento de pessoas é um processo contínuo que visa aprimorar habilidades, competências e comportamentos para melhorar o desempenho e a qualidade de vida tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Esse desenvolvimento pode ser aplicado tanto por indivíduos interessados no próprio crescimento quanto por líderes e gestores que desejam potencializar suas equipes.
Passos para o Desenvolvimento de Pessoas
1. Identificar necessidades e potenciais
Antes de iniciar qualquer abordagem de desenvolvimento, é fundamental entender:
- Quais são as áreas que precisam ser melhoradas? (habilidades técnicas, comportamentais, emocionais, intelectuais, etc.)
- Quais são os pontos fortes da pessoa? (o que ela já faz bem e pode aprimorar ainda mais?)
- Quais são seus objetivos no curto, médio e longo prazo?
Uma maneira eficaz de mapear essas informações é através de avaliações de desempenho, feedbacks, testes de personalidade e conversas diretas.
2. Criar um plano de desenvolvimento individual (PDI)
O Plano de desenvolvimento individual (PDI) é uma ferramenta estratégica que ajuda a pessoa a visualizar seu crescimento e definir os passos necessários para atingir seus objetivos.
Como elaborar um PDI eficiente?
- Defina os objetivos: O que a pessoa deseja alcançar? (Exemplo: melhorar a comunicação, aprender um novo idioma, desenvolver habilidades de liderança).
- Liste as ações necessárias: Quais serão as atividades para atingir esse objetivo? (Exemplo: cursos, leituras, mentorias, grupos de estudo).
- Estabeleça um cronograma: Determine prazos realistas para cada etapa do desenvolvimento.
- Monitore o progresso: Avalie periodicamente os avanços, ajustando o plano se necessário.
3. Investir em capacitação e aprendizado contínuo
A educação é peça-chave no desenvolvimento de pessoas. Existem diversas formas de capacitação, tais como:
- Cursos e treinamentos (presenciais e online) para aprimorar habilidades técnicas e comportamentais.
- Mentorias e coaching, onde profissionais mais experientes ajudam no direcionamento do crescimento.
- Workshops e palestras sobre temas relevantes para o desenvolvimento.
- Leitura de livros e artigos especializados.
- Rotação de funções (job rotation) para ampliar a experiência e visão do profissional.
A ideia é que as pessoas estejam sempre aprendendo e se aperfeiçoando.
4. Desenvolver habilidades comportamentais e soft skills
Além do conhecimento técnico, é essencial trabalhar habilidades interpessoais e comportamentais, pois elas influenciam diretamente o desempenho e as relações no ambiente profissional e pessoal.
As principais soft skills que devem ser desenvolvidas incluem:
- Liderança e autonomia
- Comunicação eficaz
- Inteligência emocional
- Trabalho em equipe
- Resolução de problemas e pensamento crítico
- Criatividade e inovação
O desenvolvimento dessas competências pode ser feito através de dinâmicas de grupo, desafios práticos, feedbacks estruturados e programas internos de treinamento.
5. Criar um ambiente que incentive o crescimento
Para que o desenvolvimento de pessoas seja eficaz, o ambiente deve ser favorável ao aprendizado e à experimentação. Algumas formas de criar esse ambiente incluem:
- Reconhecer o progresso – Pequenas conquistas devem ser celebradas, motivando a continuidade do desenvolvimento.
- Dar feedback constante – Feedbacks construtivos ajudam na melhoria contínua e evitam que problemas se acumulem.
- Estimular a troca de conhecimento – Promover encontros para compartilhamento de aprendizados entre colegas.
- Proporcionar desafios – Estimular as pessoas a saírem da zona de conforto com novos desafios é essencial para o crescimento.
6. Oferecer feedbacks construtivos
A comunicação é um fator essencial no desenvolvimento de pessoas. O feedback deve ser contínuo, focando tanto em pontos positivos quanto em áreas de melhoria.
Dicas para um feedback eficaz:
- Seja claro e objetivo.
- Seja equilibrado: mencione pontos positivos e os que precisam melhorar.
- Foque no comportamento e não na personalidade.
- Apresente sugestões de melhoria.
Exemplo de feedback bem estruturado:
“Você tem se saído muito bem na comunicação com os clientes. Notei, no entanto, que em algumas reuniões você poderia organizar melhor os argumentos. Sugiro que você se prepare com um roteiro antes das reuniões para garantir mais clareza. Que tal tentarmos isso juntos?”
7. Monitorar o progresso e ajustar o plano de desenvolvimento
O desenvolvimento de pessoas não deve ser tratado como um evento único, mas sim como um processo contínuo. Por isso, é fundamental fazer acompanhamentos regulares para verificar os avanços e ajustar as estratégias sempre que necessário.
Como acompanhar o progresso?
- Aplicação de avaliações periódicas.
- Conversas individuais para entender desafios e dificuldades.
- Comparação entre o desempenho atual e o inicial.
- Revisão do PDI para alinhar novas metas e ajustes
Engajamento e liderança
A liderança interfere muito nos índices de turnover e quiet quitting em um time e é papel dos líderes garantir que os colaboradores se mantenham entrosados e engajados, divulgando a cultura da empresa e apoiando no desenvolvimento de cada profissional.
Os líderes devem conhecer suas pessoas para dar o suporte adequado durante toda a jornada, e a boa convivência e conexão faz com que as pessoas se sintam mais pertencentes e valorizadas no ambiente de trabalho.
Bons líderes acompanham os colaboradores, sabem quando algo não vai bem e identifica os sinais de quiet quitting para revertê-lo antes que vire uma demissão de fato. Para isso, é fundamental que existam rotinas de feedbacks e trocas entre líderes e liderados para que as pessoas se sintam confiantes na sua atuação profissional e com a organização.
Nesse ponto, é crucial que as empresas valorizem o desenvolvimento das lideranças, para que elas saibam lidar com seus respectivos colaboradores.
Implementando programas de desenvolvimento
Implementar programas de desenvolvimento não é uma tarefa que ocorre da noite para o dia, mas é preciso começar de algum lugar e desenhar as necessidades do negócio. Para isso, reunimos algumas dicas para fazer com que os programas de desenvolvimento sejam realidade na sua empresa:
- Conheça as necessidades da empresa: Mapeie as competências necessárias para os setores, entenda as características de cada profissional individualmente, ouça os funcionários e entenda o que é necessário para eles e para os resultados do negócio.
- Invista em metodologias e ferramentas: Quando falamos em desenvolvimento não é apenas sobre o modelo de sala de aula. É importante pensar em dinâmicas, gamificação, atividades online, ensino presencial ou em plataformas de aprendizagem e o que mais for interessante e fizer sentido para o seu cenário.
- Desenhe e execute treinamentos pilotos: Um programa de desenvolvimento envolve diversas etapas, possibilidades e treinamentos. Para iniciar, é bacana executar algumas turmas piloto para entender o que funciona ou não, assim é possível aprimorar para entregar para o resto da empresa.
- Defina métricas, avalie e aprimore: Defina métricas para entender na prática como os treinamentos e os programas de desenvolvimento estão dando resultados. Com elas, será possível avaliar o que já foi feito e aprimorar as metodologias ao longo do processo, afinal, esse é um desenvolvimento contínuo. A metodologia Kirkpatrick, uma das mais importantes metodologias de mensuração de resultados de treinamento do mundo, é um exemplo que você pode começar a adotar para o seu contexto.
- Acompanhe e dê feedbacks: Os feedbacks para participantes dos programas, líderes e setores envolvidos é fundamental para o sucesso do negócio e sua continuidade.
O turnover e o quiet quitting são problemas cada vez mais frequentes dentro das organizações, e é preciso que lideranças e RH se unam para acompanhar seus colaboradores, entender suas dores, necessidades e limitações para reter talentos e motivar pessoas.
Lembre-se de que um bom ambiente organizacional e programas de desenvolvimento de pessoas são chaves para manter os profissionais em seu ambiente e tornar as jornadas cada vez mais longas e saudáveis.
Como o desenvolvimento está sendo tratado em seus times? Qual sua taxa de turnover e quiet quitting? Aproveite que agora sabe mais sobre o tema, entenda seu cenário e planeje sua jornada de aprendizado!
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